Psiquismo e Parapsiquismo
Por Thiago Leite*
O psiquismo é o conjunto de atividades mentais e emocionais da consciência intrafísica (conscin), a “biosfera” intraconsciencial da pessoa, com suas memórias, formas de processar as informações que chegam através dos sentidos, tendências, medos, crenças, valores e atividades cerebrais. O psiquismo é objeto de estudo da Psicologia e da Psicanálise, ciências que estudam o desenvolvimento e funcionamento da mente, estritamente sob um enfoque intrafísico, ou seja, apenas considerando o corpo humano (soma) e seu cérebro.
Conforme a abordagem da Conscienciologia, as atividades mentais não se resumem à manifestação intrafísica, do cérebro. Além do soma, cada conscin é dotada de um corpo emocional (psicossoma), um corpo energético (energossoma, envoltório que liga o soma ao psicossoma) e um corpo mental (mentalsoma). Esses veículos se manifestam cada um em uma dimensão consciencial diferente, respectivamente a dimensão intrafísica, a dimensão extrafísica, a dimensão energética e a dimensão mental.
A manifestação de cada um desses corpos se dá de maneira diferente, tanto por suas características intrínsecas quanto pela natureza da dimensão em que se manifesta. Quando uma conscin promove a descoincidência desses corpos e experimenta uma projeção consciente (fenômeno também conhecido como projeção astral ou experiência fora do corpo), ela temporariamente passa a atuar na dimensão extrafísica, utilizando o psicossoma. Nessa condição, a consciência percebe a realidade à sua volta de maneira muito distinta daquela da dimensão intrafísica.
Enquanto está muito próxima ao corpo humano, a conscin atuando com o psicossoma não consegue se manifestar livremente. Neste estado, fica difícil transcender os instintos somáticos e as emoções arraigadas. Muitas vezes, nessa situação, o medo leva a conscin a retornar ao corpo físico. Considere-se, além disso, o fato de que, num raio de cerca de 4 metros ao redor da cabeça, o energossoma exerce uma força centrípeta que dificulta o distanciamento do psicossoma em relação ao soma.
No entanto, quando a consciência consegue distanciar o psicossoma do soma, suas percepções se tornam muito mais claras, seus sentidos muito mais apurados e o pensamento se processa mais rapidamente do que na dimensão intrafísica, ou seja, o psiquismo do cérebro extrafísico se processa de forma mais dinâmica e complexa do que o cérebro somático. A realidade extrafísica, mais sutil do que a intrafísica, é apreendida diretamente, e a consciência pode perceber ambientes, conscins projetadas e consciências extrafísicas (consciexes).
A dimensão mental, onde a consciência se manifesta através do mentalsoma, é mais sutil do que a dimensão extrafísica. O corpo mental processa pensamentos de forma instantânea, o psiquismo mentalsomático é mais complexo do que os do soma e o do psicossoma. As consciências se manifestando nessa dimensão não têm forma definida e se comunicam através de ideias em bloco, sem a necessidade de idiomas. O psiquismo da consciência se manifestando em dimensões não-físicas (extrafísica ou mental) é chamado de parapsiquismo.
Entretanto, se o parapsiquismo é tão mais dinâmico e complexo do que o psiquismo, para a consciência intrafísica que retorna ao soma depois de uma projeção consciente não é fácil rememorar as experiências que ocorreram fora do corpo. O cérebro físico não consegue decodificar completamente as percepções extrafísicas, e grande parte do que se vivencia em outras dimensões não fica armazenada nos hemisférios cerebrais.
Tendo em vista essas ocorrências, a pessoa interessada em realizar a pesquisa conscienciológica poderá registrar em detalhes as lembranças de experiências extrafísicas, especialmente nos primeiros minutos após a projeção, enquanto a conscin ainda está em relativa descoincidência.
Entretanto, o parapsiquismo não se manifesta apenas na condição da consciência projetada. A percepção das realidades extrafísicas (parapercepção) pode ocorrer a partir do estado de coincidência dos veículos de manifestação da consciência. A descoincidência dos órgãos extrafísicos (projeção parcial dos paraórgãos) possibilita à conscin ver (clarividência), escutar (clariaudiência), tocar (paratato) ou sentir cheiros (paraolfato) da dimensão extrafísica.
Também nesses casos pode existir uma dificuldade de se decodificar as percepções. A realidade extrafísica é normalmente percebida de forma vaga pela conscin, as visões são fugidias e os sons e vozes são fracos. No processo de interação da conscin com a extrafisicalidade, geralmente há repercussões sobre o corpo físico, que podem se manifestar na forma de coceiras, pequenos espasmos musculares localizados (mioclonias), zumbidos no ouvido (esquerdo, direito ou ambos), cheiros, entre outras.
Assim, a pessoa que pretende estudar a sua realidade multidimensional precisa valorizar os sinais físicos, uma vez que no estado de coincidência ela não estabelece contato direto com as dimensões não-físicas. Como esses sinais podem ser de origem extrafísica, uma técnica eficaz para a decodificação das parapercepções é o registro sistemático da sinalética energética pessoal, ou seja, de todos esses sinais e as circunstâncias em que ocorrem. Quando a consciência relaciona dados suficientes sobre sua sinalética, consegue estabelecer relações de causa e efeito, ficando mais fácil interpretar o que acontece multidimensionalmente, através dos sinais físicos e energéticos que formam sua sinalética pessoal.
Você, leitor ou leitora, já experimentou a projeção consciente? Já vivenciou percepções extrafísicas? Consegue interpertar sua sinalética energética pessoal?
*Voluntário do INTERCAMPI em Natal
