Manual de Prioridades Evolutivas
Por Clara Emilie Boeckmann*
Frequentemente nos perguntamos qual o propósito da vida, o que viemos fazer neste mundo. Buscamos a felicidade, a autorrealização, a serenidade e acabamos engolidos pelo rolo compressor do dia a dia, cada um nas suas diversas tarefas, mais ou menos significativas. Há os que condicionam a felicidade a metas materiais – um carro, uma casa, bens de consumo. Há os que condicionam a felicidade a condições afetivas e sociais – casar, ter filhos, entre outras. Mas o fato é que pouca gente alcança a autorrealização, satisfação íntima na vida. Por quê?
Uma das razões deve-se ao fato de não conseguir identificar o que realmente poderia trazer esta satisfação pessoal. Outra razão é não se sentir útil a outras pessoas, vivendo uma vida egocêntrica. Há ainda os que não se sentem evoluindo e permanecem estagnados no mesmo nível evolutivo por muitos anos, isto é, não ampliam sua intelectualidade, não melhoram traços negativos, não desenvolvem novas habilidades e talentos. Há, enfim, vários motivos que nos impedem de alcançar a autorrealização.
Uma questão elementar é a dificuldade em identificar as prioridades e auto-organizar-se para o atingimento das metas e viver de forma condizente com os valores e princípios pessoais. Neste ponto, insere-se a importância da elaboração de um manual de prioridades pessoais. Cada um deve elaborar seu manual, de acordo com seus valores, o que requer investimento na busca do autoconhecimento, para evitarmos os casos clássicos daqueles que, quando atingem determinada meta, após vários anos de trabalho, percebem que houve pouca ou nenhuma satisfação e, às vezes, vários sacrifícios que deveriam ter sido evitados. Assim, o primeiro passo é conhecer a si mesmo, identificar valores pessoais, traços negativos a superar, traços positivos a fortalecer e traços faltantes a desenvolver.
Mas quais podem ser os fatores norteadores do manual? Quais os passos para construí-lo? Tudo dependerá dos valores pessoais. Contudo, o ideal, é que ele contenha metas que proporcionem a autoevolução da consciência, como propõe a Conscienciologia, que estuda a consciência de forma integrada, mais abrangente, e considera que somos consciências em evolução ao longo de várias vidas e com uma paraprocedência multidimensional (nossa origem extrafísica), não apenas intrafísica. Usando o meu próprio caso como exemplo, sendo pesquisadora da Conscienciologia, a partir do meu próprio exemplo, entendo que estamos aqui para melhorarmos nossos traços pessoais, a vivência da interassistencialidade – quando ajudamos o outro, ajudamos a nós mesmos, e fazermos reconciliações com outras consciências. Tudo isso otimizando a nossa qualidade de vida, que não deve excluir conforto intrafísico, estabilidade financeira e saúde, citando apenas alguns valores básicos da sociedade intrafísica ocidental.
Portanto, tomando por base a importância da autoevolução consciencial, sugiro como fatores norteadores para o manual de prioridades: (1) o autodesenvolvimento; (2) os valores pessoais; (3) metas evolutivas de vida, condizentes com sua realidade consciencial; (4) condições que trazem satisfação pessoal (qualidade de vida, trabalho, lazer, afetividade, etc); (5) interassistencialidade (respeito às pessoas e ao planeta, vida social, responsabilidades assumidas, contribuições à sociedade, ajuda a outras pessoas, preferencialmente no sentido de evoluírem também); (6) o cumprimento da programação existencial – programa elaborado antes de nascermos nesta vida atual, razões de nossa atual existência; (7) e o alcance de níveis mínimos de satisfação pessoal, serenidade.
Os seguintes passos são sugeridos para a construção do manual de prioridades evolutivas: (1) Autopesquisa; (2) Identificação dos valores e princípios; (3) Elaboração do Código Pessoal de Cosmoética (o que compõe sua ética perante o Cosmos); (4) Balanço da atual existência (tudo o que recebeu da vida, o que retribuiu, o que ficou pendente em todas as áreas da vida); (5) Identificação das diretrizes da programação existencial (o que, possivelmente, você veio fazer nesta vida); (6) Definição das prioridades e respectivas metas de acordo com estas diretrizes, valores e código de cosmoética; (7) Relação das prioridades; (8) Elaboração de Plano de Ação, definindo as etapas para o alcance das metas e os prazos; (9) Definição das rotinas úteis para otimização da existência (exercícios bionergéticos, exercícios físicos, estudos, etc); (10) Definição das ferramentas que auxiliarão na concretização das metas (agendas, notebook, planilhas, listas, etc).
De acordo com minha experiência, o processo de priorização e auto-organização requer vontade, esforço, dedicação e perseverança, mas a satisfação de ver as metas se concretizando, os produtos gerados, a existência se qualificando, compõem uma colheita evolutiva farta, compensadora. O valor do “trilhar”, a caminhada, é estimulante por si só, satisfação que vai além do objetivo onde se quer chegar, e esta evolução se faz, a cada passo, a cada volta que galgamos na espiral evolutiva.
*Voluntária do INTERCAMPI em Recife
