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Reencontros Evolutivos

Por Cibele Lessa*

Estamos o tempo todo em contato com pessoas e grupos. Ao nascermos, já fazemos parte de um grupo familiar e, à medida que crescemos, ampliamos também a possibilidade de interação com diversas pessoas em diversos contextos. Dessa forma, observamos que nos encontramos sempre inseridos em grupos, tais como: pessoas do bairro, círculo de amigos, colegas de profissão e de trabalho.

A partir dessa constatação, podemos fazer algumas reflexões: por que nasci neste grupo familiar? Por que estou neste contexto? Por que esta situação aconteceu comigo? Por que tal fato sempre se repete? O que preciso aprender com esta vivência? O estudo da consciência com base no paradigma consciencial pode nos ajudar a responder essas questões.

Uma das premissas desse paradigma é a multiexistencialidade, que consiste no fato de a consciência vivenciar uma série de vidas. Pela multiexistencialidade, é possível compreender o processo dos reencontros evolutivos.

Conforme a Conscienciologia, os encontros com as pessoas com as quais interagimos podem ser reencontros do passado. Esses reencontros são considerados evolutivos quando a pessoa está mais lúcida para aproveitar e criar a oportunidade de reconciliação, aprendizado mútuo e evolução das pessoas envolvidas.

Com base na teoria dos pensenes, a partir da qual toda manifestação da consciência é feita através da interação entre pensamento, sentimento e energia, temos basicamente duas maneiras de nos afinizarmos com as pessoas: quando gostamos delas – afinidade positiva, ou quando não gostamos e reforçamos os conflitos – afinidade negativa. Duas situações podem exemplificar a afinidade negativa: a primeira refere-se aos casais que após se divorciarem permanecem brigando por diversos motivos e, muitas vezes, não percebem que o aumento dos conflitos eleva o nível de ligação; a segunda diz respeito ao vínculo negativo criado em função do pensamento contínuo de desafeto que uma pessoa nutre por outra.

A grande maioria das consciências ainda não despertou para o processo de convivialidade sadia e de reconciliação, vivendo, portanto, num ciclo repetitivo, em que  prevalece o sentimento de vítima injustiçada, de mágoa, apego, culpa, raiva, egoísmo e postura de conflitividade, gerando mais ressentimento.

Nas relações com o grupocarma – conta cármica criada em função das inter-relações grupais, princípio de causa e efeito atuante na evolução da consciência, quando centrada no grupo evolutivo –, podemos acessar grupos evolutivos em que predomina o vínculo positivo através de ideias e ações como, por exemplo, pessoas que atuam como voluntárias em instituições assistenciais, ou o vínculo negativo, característico das interprisões grupocármicas. Estas últimas relações, ao invés de libertarem as pessoas,  fortalecem os laços negativos resultantes de situações mal resolvidas. Segundo a professora Málu Balona, em seu livro Autocura Através da Reconciliação: “Se o afeto une, o desafeto ata”.

Pela lei de causa e efeito e considerando o princípio da multiexistencialidade, os vínculos entre consciências não se desfazem. No entanto, há a possibilidade de transformar e qualificar esses vínculos, quando a consciência, pelo próprio processo de repetição, passa a compreender melhor a forma de atuar diante das situações desagradáveis e busca agir de maneira diferente da habitual, criando, com o outro, relacionamentos mais empáticos.

A consciência, de acordo com o seu nível de lucidez e vontade, tem autonomia para fazer escolhas, cabendo-lhe as decisões de optar por posturas antievolutivas ou pró-evolutivas. A todo momento, pode fazer análise de suas ações, valores, interesses e prioridades.

Assim, com autodiscernimento, podemos ter uma atuação madura na convivência com as demais pessoas. Buscar uma postura mais apaziguadora (pacificadora), ponderando cada situação; procurar mediar conflitos com foco na reconciliação e perdão; identificar os aprendizados vivenciados no contexto; facilitar a ampliação da lucidez e reflexão das consciências envolvidas, utilizando a paciência, diplomacia e bom humor; estar disponíveis e abertos para o diálogo e reconciliação são exemplos de ações mais indicadas para uma convivência harmoniosa e interassistencial.

Podemos utilizar algumas técnicas apresentadas pela Conscienciologia para otimizar nosso processo de convivialidade sadia, como a técnica do binômio admiração-discordância, que consiste em discordar de uma consciência e, ao mesmo tempo, respeitá-la e aprender muito com ela.

Algumas das vantagens dos reencontros, além do processo de reconciliação, é a possibilidade de conhecermos melhor nossa própria atuação, através da identificação dos nossos traços de personalidade. O contato com o outro favorece o conhecimento dos trafores (traços positivos), dos trafares (traços negativos) ou dos trafais (habilidades a serem desenvolvidas).

Os reencontros podem, portanto, favorecer a reconciliação e tornar-se uma oportunidade para melhorar a convivialidade, aprendizados mútuos e atuação interassistencial, qualificando os relacionamentos afetivos.

*Voluntária do INTERCAMPI em Recife

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