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ARTIGO: A Superficialidade Consciencial

Artigo da Semana

Por Maria Regina Camarano*

A consciência (ego, self, o princípio inteligente) é de natureza complexa, conforme abordagem da Conscienciologia, ciência dedicada à pesquisa da consciência e todas as suas formas de manifestações. Em decorrência dessa complexidade, as pessoas apresentam vários traços, tendências, qualidades, dotações reveladores das diversas facetas do ego ou do microuniverso consciencial. Embora de natureza complexa, as consciências podem se apresentar adotando posturas superficiais, contradizendo, aparentemente, tal complexidade.

Em virtude de a consciência ser de natureza complexa, única, pois não existem duas consciências iguais, a superficialidade consciencial se manifesta com diferentes nuances, com características específicas, dependendo de cada pessoa. É expressa ou identificada por meio do caráter, comportamentos ou posturas. Essas posturas podem ser fortemente influenciadas pelos valores da sociedade voltados às obviedades e às aparências.

A superficialidade consciencial, normalmente, é característica das pessoas simplórias, ingênuas, com problemas de intelecção, em virtude, sobretudo, do nível de educação ou escolaridade formal, embora possa, também, ser identificada em pessoas sem dificuldades de intelecção, com alto grau de escolaridade formal. Em oposição às personalidades com características simplórias e ingênuas, estas últimas não são consideradas pela sociedade como superficiais, mas sim como personalidades com certo nível de profundidade, principalmente por serem reconhecidas socialmente ou intelectualmente pela posição de poder e prestígio que ocupam na sociedade. No entanto, na realidade, se revelam também ingênuas e simplórias, quando avaliadas em relação à compreensão da natureza multiexistencial, multidimensional e evolutiva do próprio ego, podendo ser, nesse caso, qualificadas como pseudoprofundas.

Por outro lado, há aquelas pessoas que, embora não simplórias ou ingênuas, nem restritas aos valores sociais vigentes, subestimam e negligenciam as ideias inatas e as oportunidades oferecidas pela própria vida humana, ou se desvalorizam na comparação com o outro, sem perceber os seus múltiplos talentos, deixando passar ao largo o essencial da existência, sem enxergá-lo. Agem como as consciências superficiais ou pseudoprofundas, muitas vezes marcadas pela leviandade e falta de seriedade consigo mesmas.  Em geral, escolhem o mais fácil para desempenhar, buscando a “zona de conforto”, transformada, com o tempo, em “zona de desconforto”, em função do nível de insatisfação com a própria vida. Essa postura pode ser fortalecida pela presença de traços conscienciais imaturos, como: a vontade débil, a submissão à vontade do outro, a preguiça mental, o imediatismo, o descaso, o desleixo, as aparências, a mesmice, a autodesorganização, o hedonismo, a falta de responsabilidade consigo mesma.

A superficialidade consciencial é, portanto, resultado da imaturidade da consciência e do desconhecimento quanto a sua natureza multidimensional, multiexistencial e evolutiva.

A principal consequência da postura superficial ou pseudoprofunda, principalmente para as personalidades negligentes, é o aprofundamento da insatisfação pessoal, em virtude das escolhas equivocadas, em termos profissionais, afetivos, dentre outras. A pessoa superficial não analisa, não avalia, não planeja a sua existência. Vive mais no “ôba, ôba”, no “maria vai com as outras”. As escolhas equivocadas tendem a prejudicar a realização da programação existencial e do completismo existencial, gerando a condição de extrema tristeza para a consciência, na dimensão intrafísica, com perspectiva de continuidade e agravamento dessa tristeza, na dimensão extrafísica, após a dessoma (descarte do corpo físico) ou morte do corpo físico.

Entretanto, chega o momento de a pessoa mudar em função da insatisfação consigo mesma, da conscientização quanto à superficialidade consciencial e dos reflexos dessa postura em sua própria vida.

Assim, se coloca a questão: como deixar de agir com superficialidade? A título de terapêutica, a Conscienciologia propõe uma série de técnicas, também adequadas à superação da superficialidade consciencial, dentre as quais podem ser destacadas: a auto-organização consciencial, a partir da qual a pessoa elimina os maus hábitos e a dispersão; a técnica das 50 vezes mais, com base na qual a pessoa multiplica por 50 os esforços pessoais para atingir a meta proposta; a técnica do detalhismo, que consiste na busca do detalhamento máximo dos fatos vivenciados pela pessoa, a fim de entender todas as suas minúcias.  Sem perfeccionismo, é possível a combinação de tais técnicas e o autoinvestimento constante, no dia a dia, na aplicação das mesmas, com a perspectiva de superação dos traços imaturos cronificadores da superficialidade consciencial.

Segundo Waldo Vieira, propositor da Conscienciologia, “a conscientização da própria complexidade, além de escancarar o autoconhecimento, expande a profundidade e a abrangência da responsabilidade da conscin perante o Cosmos”.

O leitor e a leitora encontram-se, ainda, na condição de consciência superficial ou pseudoprofunda? Ou já descortinaram a própria complexidade e a responsabilidade diante da autoevolução e da evolução das demais consciências?

*Pesquisadora da Conscienciologia – INTERCAMPI Recife

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