ARTIGO: Traços Pessoais Evolutivos

Por Maria Regina Camarano*
Traços pessoais são características da personalidade adquiridas ao longo das várias existências, fazendo parte da holobiografia ou história multiexistencial e multidimensional de cada pessoa. Podem representar as qualidades ou virtudes (traços evolutivos) ou defeitos (traços antievolutivos), denominados mais apropriadamente traços-força (trafores) e traços-fardos (trafares). São as características pessoais consideradas inatas. Há ainda os traços não desenvolvidos pela pessoa, o traço faltante ou trafal, lacuna da personalidade, o traço-força necessário para complementar os talentos pessoais.
Conforme a Conscienciologia, cujo objeto de estudo é a consciência, os traços evolutivos podem ser classificados em traços comuns, também denominados minitrafores, próprios dos homens e mulheres, em geral, e traços escassos, próprios de homens e mulheres mais lúcidos e lúcidas quanto ao significado e às prioridades da própria existência.
Como trafores comuns ou minitrafores destacam-se: altruísmo, autodecisão, auto-organização, coragem, educação, erudição, generosidade, honestidade, pacifismo, racionalidade, sinceridade, solidariedade, dentre outros. Embora comuns, não são facilmente identificados na maioria das pessoas.
Quanto aos trafores escassos, destacam-se: abnegação, autodiscernimento, cosmoética (ética de todas as dimensões), desperticidade (pessoa que atingiu o patamar evolutivo de não sofrer mais a interferência de energias entrópicas de consciências desequilibradas), tridotalidade (intelectualidade, parapsiquismo e comunicabilidade), dentre outros.
O desenvolvimento e qualificação desses traços refletem o desempenho evolutivo das pessoas e o nível de maturidade consciencial alcançada.
A Conscienciologia propõe, como desafio para cada pessoa acelerar a autoevolução, instrumentos e técnicas que possibilitam aos interessados a aquisição e fortalecimento de traços-força e a autossuperação dos traços-fardos. Dentre os instrumentos, destaca-se o Conscienciograma, teste de avaliação da consciência, com 2.000 (duas mil) perguntas que orientam a autoinvestigação e autorreflexão. A depender da vontade firme, a pessoa é impulsionada ao autoenfrentamento necessário à mudança, como, por exemplo, qualificar os traços-força já conquistados para assumir responsabilidades em prol de outras consciências, assim como a autossuperação dos traços-fardos, travões da evolução pessoal.
Investir no desenvolvimento da tridotalidade, por exemplo, significa grande passo para o aprimoramento das qualidades que toda consciência tem em potencial.
A tridotalidade ou tridotação intraconsciencial é a conjugação de três talentos úteis para a autoevolução: a intelectualidade (emprego da racionalidade para o estudo e aquisição de cultura útil à autoevolução), o parapsiquismo (capacidade de perceber além da dimensão física e dos cinco sentidos físicos) e a comunicabilidade evoluída (capacidade de se comunicar ou de interagir com o outro de forma harmônica, sem ruídos de comunicação e desentendimentos). Aliados a esses talentos, ou perpassando-os de forma transversal, está a cosmoética, a ética de todas as dimensões de atuação da consciência. Assim, a pessoa precisa investir, sobretudo, na compreensão da cosmoética para pautar os pensamentos, sentimentos e atuação com base nesses princípios, o que implica estar, a todo momento, autoavaliando a cosmoeticidade de suas ações e, em caso de dúvida, abster-se.
O desenvolvimento ou aprimoramento da intelectualidade é possível a toda pessoa motivada a complementar as lacunas da escolaridade formal, por meio do autodidatismo. O autodidatismo é um traço-força, cujo desenvolvimento depende da vontade decidida de aprender por si mesmo, utilizando todos os recursos, abundantes atualmente em nossa sociedade, em virtude do desenvolvimento tecnológico. A leitura de obras úteis de assuntos diversos, por exemplo, possibilita a criação de novas sinapses cerebrais e, consequentemente, o desenvolvimento intelectual.
O parapsiquismo é um traço que pode ser observado em várias pessoas. Quem ainda não teve uma intuição ou premonição de um fato que acontece posteriormente, ou se comunicou mentalmente com outra pessoa por meio da telepatia? Porém, o parapsiquismo útil à autoevolução precisa estar conjugado com a intelectualidade, para que os fatos que ocorram possam ser analisados de forma racional e compreendidos quanto à importância para a autoevolução. O desenvolvimento e a qualificação do parapsiquismo podem ser feitos por meio de técnicas e de exercícios, a partir da própria vontade.
A comunicabilidade evoluída abrange a comunicação da consciência em todas as dimensões em que atue, conjuminada, no entanto, ao desenvolvimento da intelectualidade e do parapsiquismo. Pressupõe a interação com o outro de forma sadia, equilibrada, pautada, principalmente, no entendimento da necessidade do outro, tendo por base a assistencialidade.
A qualificação dos talentos pessoais evolutivos, como os acima citados, pode possibilitar a autoinvestigação e descoberta de traços antievolutivos ou trafares, uma vez que para aperfeiçoar o trafor é necessário descartar o que está atrapalhando o aperfeiçoamento desse traço. Por exemplo, qualificar a intelectualidade exige superar a preguiça mental; qualificar o parapsiquismo exige a superação do medo da experiência em outras dimensões; qualificar a comunicabilidade exige a superação do medo da autoexposição, do preconceito em relação ao outro, do falar apenas por falar.
A evolução pessoal pressupõe, portanto, o movimento cíclico em espiral de aquisição e fortalecimento de trafores, bem como o descarte de trafares, podendo ser conseguido pelo autoenfrentamento ou a evitação de colocá-los em “baixo do tapete”. Esse movimento representa, em síntese, a partir da automotivação e do autoesforço, a atualização do ego ao momento evolutivo da consciência.
Assim, ao leitor e à leitora, fica o convite para ter suas próprias experiências em relação ao aperfeiçoamento dos talentos pessoais e avaliar os resultados quanto à autoevolução. A leitura e resposta aos testes da obra “Conscienciograma”, de autoria do professor e pesquisador Waldo Vieira, possibilitará ao leitor e à leitora o aprofundamento da autoinvestigação, com vistas à qualificação dos talentos pessoais.
*Pesquisadora da Conscienciologia – INTERCAMPI Recife
