ARTIGO: Completude Existencial
Por Ana Ceres Alves Timóteo*
A expressão completude existencial, segundo a Conscienciologia, significa a conquista da satisfação pela consciência humana executora de atos, manifestações e obras, consoante o seu projeto de vida. É completista existencial quem cumpre seu planejamento, dentro do caminho certo, diretriz, setor e nível, atribuídos por meio de compromissos e deveres evolutivos, acordados durante as vivências no período intermissivo.
Entende-se por período intermissivo o intervalo existente entre uma vida e outra, ou seja, é a vivência extrafísica da consciência entre duas vidas intrafísicas. Acrescenta-se que o ciclo multiexistencial é a alternância contínua de um período de vida intrafísica com outro extrafísico, compondo o roteiro evolutivo da consciência.
Os projetos de vida, estabelecidos no período intermissivo, constituem a programação existencial (proéxis) específica de cada consciência intrafísica. Consoante estudos da Proexologia, toda proéxis é exatamente proporcional à natureza dos objetivos, aos recursos à mão e aos talentos pessoais, cuja execução poderá ser dinamizada pela otimização do tempo disponível; dedicação às metas estabelecidas e aprimoradas; priorização de tarefas com o corte das dispersões e interferências; estabilidade das emoções; retificações constantes dos caminhos; e pelo emprego predominante dos traços fortes (trafores) sobre os traços-fardos (trafares).
Sob um outro prisma, quando a execução da proéxis é descurada pela conscin, evidencia-se a Incompletude Existencial (incompléxis), que é a condição de desconforto, frustração ou insatisfação nutridos por uma pessoa irrealizada, por não ter conseguido cumprir as tarefas magnas a que se propôs executar na vida humana. Em geral, o incompletista está envolvido pela materialidade, sem real interesse pela proéxis.
O não cumprimento da programação existencial gera o estado consciencial de melancolia intrafísica (melin), precursora da melancolia extrafísica (melex), essa ocorre quando a consciência descobre que passou a vida intrafísica fazendo escolhas erradas. Porém, na contra-mão da melex, é possível afirmar que toda conscin tem um grande talento, e com ele a grande responsabilidade assistencial, consigo e perante os outros, sendo pertinente a seguinte reflexão: “o que temos feito com os nossos talentos, com as oportunidades recebidas?”
Toda pessoa adulta já possui muito além do necessário para começar a executar a sua proéxis. As tarefas são específicas de cada consciência, e os resultados dependem do esforço e do desempenho pessoal. Em toda a vida humana, o candidato ao completismo existencial trabalha para ampliar, cada vez mais, o círculo de relações conscienciais sadias e construtivas, intra e extrafísicas, assistindo no que pode, a quem pode e onde pode. A pessoa, amando o que faz, vai crescendo na motivação sem lacunas depressivas. Nesse sentido, cabe a adoção da técnica motivação-trabalho-lazer, como método de potencialização do autodesempenho pela vivência desses três elementos em condição única.
O completismo existencial (compléxis) gera a euforia intrafísica (euforin), que correspondente à sensação de bem-estar pelo dever cumprido. A euforin é pré-requisito da moratória existencial (moréxis), o complemento de vida facultado à consciência humana merecedora, por seus esforços e desempenhos de fraternidade. Segundo o conscienciológo Waldo Vieira: “se o compléxis é o diploma da vida humana, o moréxis é o troféu da conscin”.
Esta autora é ex-aluna da Escola Doméstica de Natal (ED), e, por ter convivido com a educadora Noilde Ramalho (1920-2010), destaca-a como uma conscin completista, citando dentre os seus trafores (traços fortes): liderança; organização; dedicação; elegância; persistência; serenidade; neofilia; diplomacia; autoconfiança; intelectualidade; assistencialidade; entusiasmo e eficiência. Como Diretora da Escola Doméstica de Natal (ED) por mais de meio século, D. Noilde imprimiu como marca pessoal o amor ao ensino, pelo qual construiu, inaugurou, fundou, contribuiu e acompanhou o desenvolvimento da escola.
Visitar a ED é perceber uma escola quase secular que não parou no tempo, evoluiu, acompanhou as tendências do mercado. Conversar com D. Noilde era constatar: “ela deve dormir com a sensação de dever cumprido”. Sob a sua gestão, dentre muitas conquistas, cabe exemplificar a implementação do Curso de Direito com conceito “A” no MEC e a construção de um Centro de Saúde, que retrata ensino superior de alta qualidade, oportunizando aprendizado aos alunos e atendimento gratuito ao público nas áreas de Psicologia, Fisioterapia, Nutricionismo, Educação Física e Enfermagem.
O poeta Diógenes da Cunha Lima, no livro Natal: Biografia de uma Cidade, refere-se a Noilde Ramalho como um instante nobre da educação brasileira, uma entusiasta, que exercia a sua função como se estivesse no primeiro ano de atividades, realizadora de novas melhorias e aperfeiçoamento, por entender que a educação é um processo de mudança. Em adição, as palavras da autora Eulália Barros: “a Escola Doméstica mudou a vida da mulher do Rio Grande do Norte em sua identidade civil. Ao formar moças das décadas primeiras deste século, com uma educação esclarecida do seu papel como personagem transformadora da sociedade a Escola inovou, inovou, incomodou e persistiu”.
Da obra Homo sapiens reurbanisatus (Waldo Vieira, 2003), extrai-se a equação lógica para a execução do compléxis: a vontade é o querer; a intencionalidade, a meta; o saber, a técnica; a perseverança, a execução: a proéxis realizada. Logo, a proéxis é alcançada com perseverança. O trinômio motivação-esforço-perseverança é a postura técnica e prática indispensável a toda conscin buscadora do compléxis.
Em síntese, o compléxis se constrói de pequenas realizações , no dia-a-dia.
Você, leitor ou leitora, antes de adormecer, ao colocar a cabeça no travesseiro, percebe a sensação de completude?
*Advogada e voluntária do INTERCAMPI

