ARTIGO: O Ato da Exposição Pessoal

Por Maria Regina Camarano*
Exposição pessoal ou autoexposição é a manifestação explicita da realidade íntima da pessoa, compreendendo os traços maduros e imaturos, por meio dos pensamentos, sentimentos e ação. Trata-se do ato de comunicação a ser pautado pela intenção cosmoética, ou seja, a intenção com base nos princípios morais compreendidos e vivenciados pela consciência em todas as dimensões em que atue. Nesse caso, a pessoa passa a ser coerente com ela mesma, em virtude da sintonia entre o que pensa, sente, fala e faz. A principal consequência da autoexposição para a pessoa é a condição de pacificação íntima.
A autoexposição com intenção cosmoética pode ser constatada principalmente pela energia da pessoa e percebida por meio da força presencial, com resultados positivos para ela e para aqueles de sua convivência, por estar pautada no princípio cosmoético de “acontecer o melhor para todos e todas”.
Ao se analisar a questão da exposição pessoal sob o enfoque da Conscienciologia, ciência que estuda a consciência de forma integral, manifestando-se em todas as dimensões, observa-se que mesmo a pessoa com bloqueios para expor a sua realidade íntima, pelos motivos mais variados, está constantemente exposta por meio do pensene – pensamento, sentimento e energia –, unidade indissociável de manifestação da consciência. Pessoas com bom domínio energético e lúcidas quanto ao alcance das manifestações pensênicas e dos próprios pensenes podem fazer a leitura da intencionalidade do outro ou outra no processo da comunicação interpessoal. Assim, a pessoa tem que ser coerente entre o que pensa e o que fala, ou seja, entre intenção e ação. Caso contrário, estará cometendo o autoengano.
De forma geral, superar o bloqueio em relação à autoexposição implica, para a pessoa, no enfrentamento de dificuldades, na superação dos traços imaturos da personalidade. A autora constata, com base na autopesquisa, técnica proposta pela Conscienciologia, que a falta, dificuldade ou o medo da autoexposição tem relação com o orgulho, traço de personalidade explicitado por meio de variadas manifestações comportamentais. Exemplos dessas manifestações são: proteção da autoimagem construída para mostrá-la aos outros, gerando o pensamento repetitivo de “o que os outros vão pensar”; a dificuldade de aceitar a crítica, pois, ao ouvi-la, a consciência já está pensando nos argumentos para rebatê-la; a dificuldade de aceitar a ajuda do outro; a necessidade de ter sempre a razão.
O conceito de orgulho pode ser visto também sob outro prisma, o traço positivo de sentimento de dignidade pessoal, de brio e de altivez. Dessa forma, embora possa parecer contraditório, é normal se sentir orgulhoso ou orgulhosa pelo fato de superar o traço imaturo – orgulho – e conseguir se autoexpor.
Como profilaxia para a superação do medo da autoexposição e, consequentemente, do traço imaturo impulsionador desse medo, têm sido utilizadas, pela autora, as oportunidades de exposição pública, por meio da participação em debates, apresentações, aulas, elaboração e publicação de artigos, dentre outras. Nesses ambientes a pessoa não tem como fugir da crítica. A comunicação e a relação interpessoal podem se ampliar, principalmente por dois fatores aqui destacados: a abertura para o acesso de sua intimidade e aquisição de confiabilidade das outras pessoas; a posição de igualdade com os demais pela identificação de talentos e imaturidades similares.
A exposição pública nem sempre é indicativa de autoexposição cosmoética da intimidade pessoal. Como exemplos, podem ser citados os políticos e os líderes religiosos, pessoas públicas, cujos discursos, quando analisados com acuidade, são reveladores de traços pessoais imaturos, de incoerência entre o que se pensa, sente, fala e faz.
A falta de autoexposição pode ainda ser analisada com base em outras hipóteses, de acordo com situações passíveis de ocorrerem com as pessoas. Por exemplo, o fato de a pessoa não se expor para que seus talentos ou traços-forças não sejam identificados, com o intuito de não assumir responsabilidades. Nesse caso, trata-se de uma postura anticosmoética, caracterizada como omissão negativa.
Entretanto, há certas condições em que a falta de autoexposição caracteriza-se como omissão positiva. Esse fato ocorre quando, mesmo não se tendo bloqueios ou dificuldades, evita-se expor ideias e valores para as pessoas cujo discernimento e maturidade ainda não são suficientes para a compreensão dessas ideias, podendo confundi-las mais, ao invés de esclarecê-las.
A aparente falta de autoexposição cosmoética é a condição do anonimato do Homo sapiens serenissimus, o serenão – modelo evolutivo proposto pela Conscienciologia –, cujas qualidades adquiridas ao longo das várias existências revelam as conquistas da maturidade total e da condição de serenidade plena. O serenão não se expõe diante da realidade física e das pessoas comuns, como nós todos, habitantes do Planeta Terra, ao que parece, pelo fato de ter atingido o patamar evolutivo de desenvolvimento de todos os talentos, a maturidade total, de difícil compreensão. A sua condição real, no entanto, pelo patamar evolutivo atingido, é de autoexposição plena ou de omniexposição. Tudo indica que o local escolhido de autoexposição é o Cosmos e as companhias são as consciências com o mesmo nível de evolução. Essa realidade de autoexposição cosmoética pode ser percebida por meio da sintonia com as energias dessas consciências manifestadas em toda parte.
Para as pessoas cuja prioridade existencial é a autoevolução e cujo modelo evolutivo o Homo sapiens serenissimus, exemplo de maturidade possível de ser alcançada pelo autoesforço durante várias existências, a autoexposição no dia-a-dia vem contribuir para a reciclagem pessoal, ajudando na autossuperação de traços imaturos, a exemplo do orgulho, e na aquisição de talentos catalisadores da autoevolução e da condição de omniexposição propiciadora da máxima coerência e da pacificação íntima.
Diante das considerações e fatos apresentados, ficam, para os leitores e leitoras, as seguintes autorreflexões: qual o meu nível de autoexposição íntima? Só exponho o que os outros e outras admiram? Quais os autoenfrentamentos necessários para desdramatização da exposição de minha realidade íntima?
*Pesquisadora da Conscienciologia – Intercampi Recife
