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ARTIGO: Projeto de Vida:Desvios, Crises e Reciclagem

Artigo da Semana

Por Márcio Alves*

A nossa evolução tem sua dinâmica na ampliação do limite do conhecimento possibilitada pela pesquisa nas diversas áreas de nossas atividades e seus resultados. Fato importante a ser ressaltado é a inserção, mais recentemente, de nossa realidade multidimensional no contexto dessas pesquisas, dissociando-a de conotações místico-religiosas.

Acessamos, muitas vezes, as nossas realidade e potencialidades, através de fenômenos decorrentes da fisiologia (ou parafisiologia) de nossos corpos. É dessa forma que fenômenos como a clarividência, intuição, retrocognição e, especialmente, a experiência fora do corpo, dentre outros, nos possibilitam tomar conhecimento da multidimensionalidade e dos corpos que possuímos, além do corpo físico, os quais nos permitem acessá-la.

O processo evolutivo consciencial implica no acesso a essa realidade, com lucidez, a partir de nossa vontade qualificada por uma intencionalidade cosmoética – relativa a uma ética cósmica, multidimensional.

A finitude desta existência e a indeterminação de sua duração são fontes de angústia e de alienação quando não se tem autoconsciência da multidimensionalidade, ou, tendo-se esta, não se age conforme os princípios pessoais cosmoéticos.

O limite que a biologia encontra para explicar a morte física, em decorrência do método que utiliza, leva muitos pesquisadores a adotar uma postura agnóstica diante desse fenômeno, ficando aos filósofos a tentativa de compreendê-lo no nível conceitual, enquanto a religião busca superá-lo pela fé.

Muitas vezes, tenta-se provar a si mesmo, através da subordinação do outro às suas ideias, que o seu entendimento sobre a vida é o verdadeiro. Busca-se o reconhecimento da verdade pessoal impondo-a ao outro a fim de se convencer das próprias ideias – muitas vezes não experienciadas – e conseguir a paz íntima diante da certeza da inevitabilidade da morte.

O excesso de teorização e a ausência de vivências da realidade multidimensional estimulam a arrogância do saber, o uso do conhecimento como instrumento de poder, a manipulação das pessoas e a imposição de conhecimento pela retórica.

A percepção da morte coloca a necessidade de se encontrar um sentido para a existência, o que conduz à busca de um projeto de vida. No marco da ciência moderna, e de uma economia voltada para a produção e consumo de mercadorias, este projeto tende a ser fundamentado em valores sociais que refletem a influência da base material e da cultura sobre o homem. O sentido da existência humana passa a ser produto da realidade material, desconsiderando o papel desempenhado pela realidade extrafisica.

Ao subestimar a realidade íntima da consciência, este projeto concebido de fora para dentro é incapaz de libertá-la, torná-la plena, dar-lhe autonomia, dotá-la de autodeterminação no seu caminhar, permitir-lhe o acesso a princípios e valores cosmoéticos que se expressem em ações que representem respostas às suas indagações existenciais.

Os objetivos do projeto de vida não se esgotam nesta vida, porque antes de tudo trata-se de um projeto evolutivo da consciência, a qual é multiexistencial e multidimensional.

A pessoa que carrega na intimidade valores multidimensionais percebe o limite de um projeto de vida que se esgota no horizonte desta existência, ainda que tal projeto possa contribuir para o progresso da humanidade.

A ausência de um projeto de vida compatível com tais valores tende a levar várias pessoas, mais cedo ou mais tarde, a sentirem-se insatisfeitas com elas mesmas, com a forma como conduzem as próprias vidas.

Essa situação pode ser resultado da saturação de uma existência vivida sem autenticidade ou do esgotamento de modelos, paradigmas, que davam sustentação ao projeto de vida. Em certos casos, o esgotamento desses modelos ou a saturação da própria conduta são acompanhados por acidentes físicos ou emocionais de grande impacto.

Em quaisquer dos casos coloca-se como urgente para quem vive tal situação olhar a existência atual por meio de um paradigma que lhe permita encontrar o projeto de vida capaz de lhe revelar o sentido não apenas desta existência, mas da multiexistencialidade.

Nessa circunstância, a busca de novos valores e o conhecimento de sua realidade consciencial constituem iniciativas prioritárias para a pessoa vir a afirma-se diante da vida. Movimento que implica em ser radicalmente autêntico nas suas manifestações, não se permitindo autocorrupções. Esta condição conduzirá a pessoa à reciclagem de seus valores e mudanças intraconscienciais, possibilitando-lhe reencontrar a sua programação existencial e o sentimento de autorrealização ao executá-la.

*Voluntário da Conscienciologia

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