ARTIGO: Quando calar? Quando não calar?

Por Clara Boeckmann*
Na segunda semana de fevereiro deste ano, recebi duas mensagens sobre “saber calar”. A primeira na Tertúlia Conscienciológica (http://tertuliaconscienciologia.org/), em que Waldo Vieira aconselhou uma senhora a se conter, calar mais, quando as pessoas dissessem coisas com que não concordasse. Ele ressaltou a importância de, algumas vezes, termos que engolir sapos. A segunda foi um artigo de Betty Milan na Revista Veja, “Nem tudo se pode ver, ouvir, dizer”, numa apologia ao ato da escuta, trazendo a simbologia da antiguidade, dos três macacos da sabedoria, originária da China – o cego, o surdo e o mudo – Mizaru, Kikazaru e Iwazaru. O ensinamento é resumido por Betty em “selecionar e conter-se”, chamando a atenção para evitar a repressão e não valorizar a vaidade.
Questionei-me quanto à relevância de mantermos a nossa coerência, de não ficarmos “em cima do muro”, não sermos omissos. Mas, de fato, é preciso estarmos atentos a cada situação. Quando calar? Quando nos defender ou defender nossas idéias/opiniões? Por isso, evidencia-se como é difícil agirmos sempre com cosmoética (a ética ampliada ao cosmos e a todas as dimensões) e universalismo. É necessário muito discernimento e alta capacidade de autocrítica e heterocríticas lúcidas. Daí a importância do autoconhecimento, do desenvolvimento mentalsomático (relacionado ao corpo mental, à intelectualidade), da percepção multidimensional de cada situação e do trabalho com as bioenergias pessoais (não somos apenas matéria física), visando a ampliar os acertos nos processos de interassistencialidade (ajudamos-nos enquanto ajudamos a outrem). Vamos explicar um pouco mais estes aspectos conscienciais.
A Conscienciologia vem ao encontro destas necessidades, apresentando técnicas para o alcance de resultados coerentes, considerando cada pessoa como consciência (eu, ego, alma) única, multidimensional, que se manifesta através de vários veículos além do corpo físico (soma), como o psicossoma (emocional), o energossoma (energético) e o mentalsoma (corpo mental). Assim, cada consciência intrafísica, cada pessoa, atua nas multidimensões – física e extrafísicas, com seus diferentes veículos de manifestação. Além disso, o paradigma consciencial assume que a consciência está em constante evolução, através de várias vidas (multisserialidade).
Este paradigma nos faz refletir mais sobre nossa vida, o que fazemos dela, e como conduzimos nossas relações, para que busquemos ampliar a interassistencialidade com maxifraternismo, para termos o discernimento de quando devemos nos conter, calar, ou falar. Isso é feito a partir da autopesquisa, da identificação de traços fortes e fracos de nós mesmos, da ampliação do autodiscernimento e das autossuperações, utilizando as diversas técnicas conscienciológicas.
Uma dica básica sobre calar ou não é aplicar a Técnica da Qualificação da Intenção. Consiste em, diante de determinada situação, questionar a verdadeira intenção de calar ou falar, responder às reflexões “por quê”, “para quê”, “para quem”, refletir se vai ajudar ou se vai complicar a situação.
Não é fácil saber quando e como calar. Vontade, perseverança, reflexões, estudo, constantes autoavaliações e a busca pelas autossuperações são essenciais para a conquista da pacificação íntima, com uma vida mais evolutiva. Cada um precisa desenvolver sua capacidade de discernir para, por si mesmo, saber quando calar ou não.
*Voluntária da Conscienciologia

De fato, é importante a reflexão sobre o falar ou não falar.
Penso ser fundamental analisarmos a nossa intencinalidade em nos calarmos ou não. A nossa escolha pelo esclarecimento demanda além do discernimento na escolha das palavras certas, um planejamento.
Por exemplo: a escolha certa do momento em que devemos nos posicionar, o local, as companhias durante esta tarefa e o trabalho com nossas bioenergias. Lembrando que mesmo quando nos calamos, os nossos pensenes falam por nós.
Muito interessante este seu artigo, precisamos analisar os fatos e termos dicernimento para agir.