ARTIGO: Interação Pensamento, Sentimento e Energia

Por Márcio Alves*
A capacidade de pensar, sentir, agir e ser consciente de si mesmo e do mundo coloca dilemas, desafios e conquistas para todos nós. A vivência desse processo é condição necessária à autoevolução.
O desempenho evolutivo, entretanto, dependerá da qualidade dos pensamentos, sentimentos e energias, ou seja, dos pensenes manifestos, incessantemente, pelas pessoas, no cotidiano de suas existências.
O pensene constitui a unidade de manifestação de cada pessoa, sendo constituído pela união indissociável do pensamento, sentimento e energia. Embora seja um dos elementos do pensene, a energia é também o seu substrato, cuja qualidade é determinada pelo conteúdo do pensamento e do sentimento.
O conjunto de pensenes produzidos por uma pessoa gera um holopensene, ou seja, uma atmosfera pensênica pessoal que se reflete na expressão energética dessa pessoa. Esse conjunto de pensenes consolidados, o holopensene, pode também ser formado por um grupo de pessoas afins, bem como estar presente e caracterizar energeticamente um ambiente.
Interagimos com pessoas e ambientes a cada momento por meio das energias, qualificadas pelos nossos pensamentos e sentimentos, influenciando e sendo influenciados pelas trocas energéticas que se processam nessas relações.
Conforme a natureza da atividade realizada pela pessoa, o pensene terá um dos seus elementos mais enfatizado. Na pesquisa cientifica, por exemplo, a ênfase é dada ao pensamento. Por sua vez, o sentimento é o elemento de maior presença na atividade artística, enquanto nos esportes as energias predominam. Sendo o pensar a expressão máxima da autoconsciência, o pensamento assume papel relevante no processo de qualificação pensênica.
Quando pensamos e sentimos algo por alguém, tornamos essa ação efetiva através da projeção energética, a qual se antecipa à ação física, com consequências para as pessoas nela envolvidas, independente da ação física ser executada ou não.
A compreensão do significado e consequências de nossas ações, bem como a possibilidade de aperfeiçoá-las, depende da capacidade que temos de dominar e qualificar as energias
O ser humano, enquanto objeto de conhecimento, é representado pelos pensenes que ele, enquanto sujeito, manifesta ao exercer a sua vontade e intenção. Na condição de realidade pensante, sujeito do conhecimento, é autoconsciência, capacidade de conhecer, refletir sobre a sua própria manifestação e decidir cada vez mais sobre esta manifestação, através da vontade, auto-organização e intencionalidade.
A autopesquisa de nossa realidade multidimensional é fundamental para a consecução desse objetivo. É por meio da autopesquisa que desenvolvemos a autopercepção energética e a capacidade de conhecer e vivenciar os demais veículos, além do corpo físico, pelos quais nos manifestamos.
Além de levar a pessoa a conhecer a sua realidade multidimensional, o que favorece a autocrítica e revisão de valores, a autopesquisa desencadeia mudanças intra e interconscienciais, cuja perspectiva é a autoevolução.
Essas condições são necessárias à compreensão e qualificação de nossos pensenes, contribuindo para que as nossas relações com as pessoas e ambientes sejam mais harmônicas, equilibradas e geradoras de desafios compatíveis com o desenvolvimento de nossas potencialidades evolutivas.
A falta de percepção energética, autoconsciência multidimensional e entendimento dos pensenes é um grande obstáculo ao processo evolutivo consciencial, impedindo as pessoas de se compreenderem melhor e resolverem problemas do seu cotidiano, tais como: a natureza de seus conflitos internos e externos, questões relativas à saúde, dificuldades no relacionamento, definição das prioridades existenciais, entre outros.
Algumas perguntas podem ser usadas como instrumento de autoavaliação pensênica:
- Quais as reais intenções dos meus atos, gestos, iniciativas ou de minhas palavras?
- Há incoerências entre o que falo e o que faço?
- Tenho ideias fixas associadas a mágoas, a ressentimentos ou tenho facilidade em mudar o foco de minha atenção, acessar novas ideias e consolidá-las quando prioritárias a minha autoevolução?
- Os meus pensenes, em regra, são úteis, assistenciais ou são de natureza bélica, egoístas?
- Contribuo com os meus pensenes para a higienização dos ambientes que frequento ou com que entro em contato, eventualmente?
- Nos meus pensenes predomina o pensamento, o sentimento ou a energia?
Qualificar o pensene significa dominar as energias e equilibrar as emoções, gerando sentimentos elevados, como resultado da intencionalidade cosmoética – relativa a uma ética cósmica, multidimensional – e da auto-organização da pessoa no processo de elaboração do pensamento.
Sejamos, portanto, lúcidos quanto aos pensenes que estamos produzindo, a fim de podermos entender e melhorar a nossa realidade intraconsciencial e nossas relações com outras pessoas e ambientes, bem como aperfeiçoar o nosso desempenho evolutivo.
*Economista e voluntário do INTERCAMPI
