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ARTIGO: Projeção Consciente: Autocomprovação da Vida após a Morte

Artigo da Semana

Por Paulo Abrantes*

O universo é composto de duas realidades: consciência e energia (matéria é um estado específico da energia, ou energia aprisionada). Há instrumentos capazes de medir, prever e até mesmo transformar a energia, mas inexistem formas de avaliar a realidade da consciência a não ser por ela mesma. Este é o paradigma inevitável para se estudar a consciência (a nós mesmos): o paradigma consciencial. Ou seja, o pesquisador é, também, o objeto pesquisado.

A projeção da consciência consiste na saída – por mim, você ou qualquer pessoa – do próprio corpo físico, portando outro veículo de manifestação mais sutil – psicossoma, também conhecido como corpo astral, ou mesmo o mentalsoma ou corpo mental. Refere-se, ainda, às projeções de energias conscienciais a partir de qualquer dimensão, sem portar a consciência.

A Projeciologia é a especialidade da Conscienciologia que estuda o fenômeno da projeção consciente, assunto bastante estudado, de fundamental importância para o autoentendimento e autocomprovação das realidades extrafísicas de cada um de nós. Não somos o nosso corpo.

A ciência convencional, baseada no paradigma Newtoniano-Cartesiano, infelizmente ainda não é capaz de compreender, comprovar, avaliar ou mesmo admitir esta realidade. O dilema mente-matéria ainda incomoda os cientistas vítimas da psicose do elétron (não são capazes, não querem ou não admitem estudar a realidade além da matéria, apesar de todas as evidências, inclusive por eles vivenciadas). Porém, sejamos otimistas: as pesquisas da EQM (Experiência de Quase-Morte) e da Neurociência estão avançando.

Parte da dificuldade da ciência convencional em estudar o assunto advém do fato de que as experiências conscienciais que geramos a todo o momento e as energias resultantes desta nossa manifestação ainda não são detectadas, de forma definitiva e direta, por nenhum instrumento humano (embora, da primeira até início da segunda metade do século passado, uma série de experimentos laboratoriais, em especial os conduzidos pelo pesquisador Charles Tart, tenham evidenciado esta realidade – o que chamamos de período laboratorial da Projeciologia).

Além disso, as experiências conscienciais – por estarem associadas à nossa vontade – não são replicáveis em laboratório. No entanto, os fenômenos parapsíquicos em geral têm apresentado características e peculiaridades comuns em várias culturas e em épocas distintas.

A despeito disso, a projeção já vem sendo estudada de forma séria por pesquisadores da ciência convencional desde o século passado. É o caso da experiência de quase-morte, um tipo traumático de experiência forçada estudado por cientistas de forma sistemática desde o século passado, muitos dos quais iniciaram a pesquisa para demonstrar tratar-se de processo imaginativo, uma peça pregada pela mente. Há vários livros sobre o assunto, inclusive na bibliografia conscienciológica (destacamos Voltei para contar: autobiografia de uma experimentadora da quase-morte, de Lucy Lutfi).

A saída lúcida fora do corpo ainda é um fenômeno experimentado por uma minoria terrestre (estima-se 1% da população mundial). Não tem relação com poder aquisitivo, bagagem cultural, gênero, etnia ou qualquer outra tipologia. A sua ocorrência está presente em nossa história humana, com relatos e evidências tão antigos quanto a história de nossa civilização. No entanto, mesmo dentre aqueles que a experimentaram, existem os que ainda não conseguem diferenciá-la do simples sonho, devido ao baixo grau de lucidez que experimentaram fora do corpo.

Para aqueles que experimentaram um grau maior de lucidez durante a experiência, há um ponto comum em seus relatos: estas pessoas têm a certeza íntima do experimento, não requerem provas externas. Este grau de lucidez mais aguçado, que traz para si a autocomprovação do fenômeno, produz um impacto inevitável na vida da pessoa, como mudança de prioridades, maior acalmia intima frente às vicissitudes da vida, maior valorização da experiência humana e, principalmente, a superação do medo da morte (tanatofobia, a causa de todos os medos).

Há os casos mais pronunciados sob o ponto de vista da autocomprovação, em que, após o retorno ao corpo humano, quando a pessoa registra fatos e acontecimentos relacionados àquela projeção, retorna ao mesmo cenário que visitou fora do corpo – antes desconhecido, ou com novos elementos desconhecidos – só que, desta vez, encaixada novamente em seu corpo. Em outros casos, recebe o relato de outra pessoa com quem esteve fora do corpo e que também rememorou a mesma experiência conjunta.

A saída da consciência do corpo físico, apesar de tudo, é um fenômeno vivenciado por todos nós todas as noites, sendo assim, antes de tudo, um processo fisiológico (ou, melhor dizendo, parafisiológico). O psicossoma eleva-se a alguns centímetros do corpo físico, portando a consciência, que em geral vivencia um sono extracorpóreo. Isto explica boa parte dos casos em que as pessoas relatam uma sensação de queda quando são acordadas abruptamente.

O desafio sob o ponto de vista da Experimentologia consiste em chegarmos a uma projeção tanto lúcida quanto rememorada. Há vários fatores que levam uma pessoa a experimentar dificuldades quanto à vivência projetiva, todos perfeitamente superáveis na medida em que a pessoa coloca vontade e motivação em suas tentativas: medo da morte, referencial ainda muito forte da realidade física temporária, interesses, achar que é o próprio corpo, uso de drogas ou substâncias químicas ao modo de medicamentos que podem afetar a lucidez, dentre outros.

Apesar do mito existente a respeito da projeção, a vivência do fenômeno é perfeitamente saudável desde que a pessoa mantenha boa intenção e sinta-se tranquila quanto a ela. A saída do corpo, especialmente a que ocorre mais distante do corpo físico, pode predispor à absorção de energias extrafísicas revigorantes, trazer mais autoconfiança ao praticante e maior motivação ao seu dia-a-dia, pois passa a ter maior autodomínio emocional. Ajuda também a ter uma perspectiva mais realista de si mesmo, na medida em que a pessoa tem contato direto com sua natureza integral.

O verdadeiro fator desencadeante das projeções lúcidas é a vontade, Sem ela ficamos sujeitos às experiências projetivas naturais, ocasionais, que muitas vezes ocorrem uma única vez em uma existência humana. O autodomínio das próprias energias conscienciais predispõe fortemente a vivência do fenômeno.

Para a pessoa interessada em agilizar seu autoconhecimento através da projeção – aqui e agora –, existem técnicas. Uma série dessas técnicas é apresentada no tratado Projeciologia: um panorama das experiências fora do corpo, do professor, médico e pesquisador Waldo Vieira. Obra mais completa sobre o tema, possui 1.232 páginas em sua quarta edição, reunindo vasta bibliografia com 2.040 referências. Essas e outras técnicas, que ainda serão criadas por todos os interessados em desenvolver sua projetabilidade, maximizam a possibilidade da experiência projetiva lúcida. Segundo Waldo Vieira, “sair do corpo humano, com lucidez, é a mais preciosa e prática fonte de esclarecimentos e informações prioritárias acerca dos mais importantes problemas da vida, elucidando-nos sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos”.

Você, leitor ou leitora, admite a possibilidade de ser uma consciência multidimensional que sobrevive à morte física? Já experimentou alguma projeção consciente? Qual o percentual de lucidez e qual a recorrência? Você conhece alguma forma melhor de elucidar definitivamente a nossa realidade extrafísíca do que a autovivência da projeção consciente lúcida?

*Voluntário e pesquisador da Conscienciologia

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