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ARTIGO: Apego: Dificultador ou Facilitador do Processo Evolutivo?

Artigo da Semana

Por Andréa Nascimento*

O apego é sinônimo muito próximo de afeto. Porém, o mesmo pode ser caracterizado por sadio ou patológico. Dependendo do tipo de apego que uma consciência (ego, nós) nutre por outra, por um objeto ou animal, definir-se-á se tem mais aspectos sadios ou patológicos.

Afetividade vem de afetar, consequentemente, algo nos afeta de alguma forma. Portanto, o afeto dedicado por nós ao meio ambiente que nos envolve e onde estão inclusos, neste contexto, todas as consciências intrafísicas e extrafísicas, a fauna, a flora, os elementos da natureza e os objetos, poderá conspirar a nosso favor ou não.

Vamos imaginar que mantemos um afeto por uma planta, cuidamos dela e a mesma cresce a cada dia naturalmente, sem problemas. Neste caso, podemos dizer que o nosso vínculo afetivo com a planta é sadio. Com um animal de estimação também pode existir um afeto sadio, já que o mesmo nos dá carinho e o retribuímos com toda dedicação. No entanto, quando nos apegamos a ponto de não conseguirmos ficar longe dele nem um minuto, deixamos até de trabalhar, como foi exibido em programa de televisão, uma situação que indicava ser um apego patológico, pois a mulher não conseguia mais nem sair de casa por sentir falta do seu animalzinho. Vivia, exclusivamente, para ele, deixando de trabalhar, de ter o seu lazer e outras atividades normais.

Estas duas situações são completamente diferentes uma da outra. Até porque o apego sadio com a planta não dificultava a vida evolutiva das duas consciências, enquanto o apego patológico entre a mulher e o seu animal de estimação dificultava o processo de evolução dos mesmos, pois se mantinham um preso ao outro, dependentes de maneira a prejudicar a vida de cada um.
Podemos citar também diversos casos entre homens e mulheres que se apaixonam e começam a criar laços afetivos que aos poucos se transformam em apego doentio. Atualmente, assistimos, infelizmente, na mídia televisa reportagens envolvendo diversos crimes passionais, onde o homem ou a mulher mata, segundo eles, por amor. Sabemos que é um absurdo e que ninguém mata por amor. Aliás, como algo tão sublime provoca algo tão horrendo?

Se ampliarmos um pouco a nossa visão de apego ela atravessa a multidimensionalidade afora. Muitos de nós perdemos ou perderemos algum dia um ente querido e este não estará mais de corpo físico presente nesta dimensão intrafísica e, sim, estará se manifestando numa outra dimensão extrafísica.

Muitas consciências intrafísicas inconformadas com a perda procuram manter as lembranças vívidas no seu dia a dia ou tendem a lamentar, constantemente, a falta da pessoa. Por incompreensão do processo de morte e vida, não aceitam e começam a transformar o apego que um dia foi sadio em um apego patológico. A consciência extrafísica passa a ser assediada o tempo todo e não consegue se desvencilhar da vida intrafísica, muito menos dar continuidade ao seu processo de evolução consciencial. Ambas as consciências assediadoras uma da outra impedem assim a liberdade de escolha e de destino na multidimensionalidade.

Há também um outro tipo de apego patológico, que é o da consciência extrafísica, milenarmente nutrindo um afeto, seja ele sadio ou doentio, pela consciência intrafísica e que não deixa a mesma seguir seu rumo na cadeia evolutiva. Muitas vezes, essa consciência patológica dificulta algum processo de vida da consciência intrafísica que sem perceber serve de hotel, permanente, ao hospedeiro que teima em não sair de perto da protegida, da amada ou odiada consciência a que tanto preza.

Neste caso, o melhor a ser feito é a consciência intrafísica buscar ajuda para que possa melhor assistir o seu hóspede. Outra ação é a própria consciência intrafísica fazer a heteroassistência, já que a mesma possui a cunha pensênica (pensamento + sentimento + energia) que mantém o seu hospedeiro há milhares de vidas perto dela.

Portanto, vamos todos interagir uns com os outros, vivermos nossas vidas, respeitando, amando e praticando o fraternismo para que possamos desenvolver uma afetividade sadia pelo próximo, seja ele pai, mãe, irmão(ã), filho(a), amigo(a), companheiro(a) e outros, para que assim possamos contribuir no melhor no processo de evolução de todos nós.

*Pedagoga e pesquisadora do INTERCAMPI

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