ARTIGO: Revolução Científica e Revolução Consciencial
Por Rute Pinheiro*
Quantos de nós sabemos que dia 16 de outubro foi o dia da Ciência e Tecnologia? Acho que poucos. Mas vivemos em um mundo em que estes dois vetores propiciaram avanços significativos à humanidade. Graças à tecnologia de que dispomos hoje, podemos observar progressos na educação e na comunicação, com o uso da informática e da internet; na saúde, com uso de equipamentos e tratamentos revolucionários antes inimagináveis; nos transportes, com os trens- balas, aviões que em menos de 24 horas podem nos levar do Brasil à China, viagens ao espaço, etc.; no aumento da produtividade agropecuária e consequentemente econômica que poderá contribuir para a superação da pobreza e de problemas sociais; entre inúmeros outros benefícios que passaríamos horas relacionando.
Estas conquistas tecnológicas são em grande parte fruto da revolução científica ocorrida no século XVII, quando pensadores como Kepler e Galileu apresentaram teorias revolucionarias que influenciaram fortemente o pensamento humano, tais como as leis de Kepler sobre a mecânica celeste e a criação de uma versão aprimorada do telescópio refrator que contribuiu para legitimar as descobertas telescópicas do seu contemporâneo Galileu, corroborando a teoria do heliocentrismo. Galileu também considerava que fazer ciência era comprovar através da experiência.
Outra figura-chave na revolução científica foi René Descartes, filósofo e matemático que instituiu a dúvida e desenvolveu o método racional dedutivo, consolidado por Newton, que influencia até hoje os campos do conhecimento científico. Considerava os seres vivos como máquinas para explicá-los cientificamente. É dele a famosa frase “penso, logo existo”. Todas estas ideias levaram o Homem a analisar a natureza utilizando mais a razão e menos as abordagens místicas.
Desta época para os dias atuais, tivemos inúmeros outros grandes pensadores e cientistas que fizeram suas contribuições, mas a limitação a um paradigma materialista dificultou o desenvolvimento paralelo de estudos sobre a consciência humana de forma mais abrangente, relegando muitos fenômenos por ela vivenciados, por serem inexplicáveis e não passíveis de verificação sob o paradigma científico vigente, a uma abordagem mística e/ou religiosa, o que gerou um gap enorme entre o desenvolvimento tecnológico e o desenvolvimento consciencial.
A consciência, assunto muito pesquisado na filosofia da mente, psicologia, neurologia e ciência cognitiva, é provalvemente a estrutura mais complexa que se pode imaginar atualmente. Muitos cientistas já procuram entendê-la, como observado no I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro (São Paulo, setembro/2010), tentando comprovar que a mente não é apenas um subproduto do cérebro, como o materialismo reducionista defende há mais de 250 anos. Segundo Thomas Kuhn, quando um paradigma não é capaz de resolver todos os problemas, é posto em cheque e começa-se a considerar se é o marco mais adequado para a resolução de tais problemas ou se deve ser substituído, estabelecendo-se assim uma crise, possibilitando o surgimento de novos paradigmas.
A Conscienciologia propõe o estudo da consciência pautado no paradigma consciencial, fundamentado sobre cinco pilares (autopesquisa, holossoma, multidimensionalidade, multiexistencialidade e interações bioenergéticas), e utilizando o princípio da descrença, que sugere que não se acredite em nada e que se procure ter suas experiências pessoais para que, a partir delas, possam-se confirmar suas hipóteses.
O fato de não encontrarmos respostas para algumas questões significa que ainda temos limites para nossos conhecimentos. Por sabermos muito pouco sobre a consciência, não há motivo para aceitarmos qualquer explicação, mais sim continuarmos buscando as respostas, sem apriorismos.
Através do autoconhecimento, pautado no paradigma consciencial, será possível o desenvolvimento de uma ética mais ampla, de um senso de responsabilidade maior quanto a nós mesmos e ao mundo que nos cerca, de uma compreensão dos mecanismos evolutivos e assistenciais, o que poderá levar a humanidade a uma mudança de patamar, onde o nível de maturidade consciencial alcançado seja mais compatível com os galopantes avanços tecnológicos, e assim tenhamos uma existência mais harmônica no planeta.
Talvez desta forma possamos vivenciar uma nova revolução, a Revolução Consciencial, onde o ser humano ou a consciência que somos nós seja a maior descoberta, e esta revolução inicia-se no nosso microuniverso consciencial. Será que nós aceitaremos o desafio?
*Bióloga, professora e pesquisadora da Conscienciologia e voluntária do INTERCAMPI

