ARTIGO: Criticidade no Consumismo

Por Andréa Nascimento*
Vivemos numa sociedade de consumo e isto é um fato que devemos levar a nossa reflexão diariamente, já que em nenhuma época da história humana o homem se apropriou tanto e de forma tão agressiva dos bens naturais produzidos pelo planeta e por ele mesmo. Consumimos de tudo um pouco no nosso cotidiano, desde leituras importantes e significativas para nossas vidas até informações vazias, sem significados para o nosso processo de amadurecimento e evolução.
Ao refletirmos sobre essa nossa condição de consumidores pensantes, observamos que estamos de mãos atadas quanto à recepção de informações insignificantes, pois as mesmas se manifestam de diversas maneiras, ou seja, nas músicas com letras e danças maliciosas; nas telenovelas que reforçam a manutenção da carência afetiva e sexual; das propagandas com efeito de oferecer, muitas vezes, produtos impossíveis à maioria da população; dos noticiários que, nada esclarecedores, apostam em reportagens dramáticas para um aumento de telespectadores e ouvintes; enfim, são informações provenientes de diversas e diferentes fontes que têm um único objetivo: o de manter a sociedade insaciável quanto a objetos de desejo efêmeros.
Dessa forma, muitas consciências contribuem para a alienação da sociedade em prol de seus interesses e, no intuito de manterem seu meio de sobrevivência, passam grande parte do seu tempo a elaborar novas maneiras de nutrirem uma suposta necessidade nas consciências consumidoras.
Se fizermos uma análise minuciosa sobre os potenciais dessas consciências patológicas, mantenedoras de outras consciências patológicas, podemos dizer que são consciências criativas e inteligentes, pois as mesmas conseguem atrair a atenção de um grande público, manipulá-lo e, mesmo assim, receberem aplausos.
Se estas mesmas consciências que agem como assediadores intrafísicos utilizassem toda essa força de criação e inteligência para o esclarecimento, para o desenvolvimento da criticidade e da lucidez humana, consciencial, sem causar danos a nenhuma outra consciência e na busca de uma sobrevivência sadia, certamente estariam se dedicando ao processo interassistencial e, consequentemente, contribuindo para um melhor processo de evolução para os envolvidos.
Diante disto, é importante refletirmos sobre a nossa condição de consciências no nosso planeta. Será que estas consciências imaturas, ao canalizarem sua criatividade para a assistência sadia, não estariam ajudando a si próprias e as consciências consumidoras, carentes e necessitadas de afeto a se tornarem seres melhores, mais fraternos e solidários?
Se tanto as consciências estimuladoras do consumo quanto as consumidoras tivessem a oportunidade de refletir sobre a criatividade cosmoética e elas vivenciassem um processo de esclarecimento e reeducação consciencial acerca das manipulações e carências humanas, seria possível desenvolver uma sociedade mais esclarecida e responsável em relação à preservação dos bens naturais e a aquisição de produtos.
Quando estamos na condição de consumidores impensantes, nos tornamos seres manipuláveis e manipuladores e, assim, não contribuímos de maneira benéfica a uma produção de informações significativas salutares a outras consciências. Mas quando nos encontramos na condição de consumidores pensantes e críticos, atuamos com lucidez e discernimento nas aquisições indispensáveis que realizamos ao longo de nossa vida.
*Pedagoga e pesquisadora do INTERCAMPI

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