ARTIGO: Evolução Grupal







Por Leuzene Salgues*

A evolução consciencial ocorre em todas as dimensões e em toda parte e a dinamização evolutiva se dá nas interações e trocas de experiências que os reencontros entre consciências possibilitam. Por isso, a convivência grupocármica (em grupo composto por consciências cúmplices de destino) representa oportunidade ímpar de trabalhar o processo evolutivo, principalmente a interassistencialidade pela superação das interprisões e comprometimentos evolutivos do passado.

Na dimensão intrafísica, há um processo democrático que possibilita reunir consciências de diversos níveis evolutivos em um grupo de componentes que, muitas vezes, não saíram da mesma comunidade extrafísica e nem irão se reencontrar após a dessoma (descarte do soma ou morte biológica). Eis a importância de se evitar o desperdício da convivência grupal e suas oportunidades para o aprendizado, retratações e reconciliações mútuas.

Na dimensão extrafísica os reencontros acontecem por afinidade e por sintonia evolutiva. A afinidade cosmoética (moral cósmica além da moral humana) contribui para a constituição de um grupo evolutivo, ou seja, grupo que já despertou para a busca da evolução. Esse grupo se reencontra a cada período de intermissão entre duas vidas intrafísicas consecutivas para fazer um balanço sobre o que foi aprendido.

Málu Balona, em seu livro Autocura através da Reconciliação, enfatiza que quando transgredimos as leis da evolução (a Cosmoética), dificultamos e atrasamos a evolução de outras consciências, criando um compromisso futuro de reencontro para mudar o padrão de energias antievolutivas e aprisionadoras.

Em geral, o processo de interprisão não é individual, pois sendo multidimensional, pode contar com a participação de consciências extrafísicas (dessomadas ou que não possuem corpo físico). Logo, se um grupo, por decisão e livre arbítrio, comete atos de prejuízo evolutivo a terceiros, o nível de comprometimento passa a ser grupal, ou seja, o grupo responderá pelo processo de interprisão criado.

A depuração das energias antievolutivas ocorre, muitas vezes, com o auxílio dos amparadores (consciências extrafísicas técnicas em assistência) e se torna possível quando há compreensão e amadurecimento grupal. Essa limpeza confere liberdade a todos os componentes do grupo através do desfazimento dos nós afetivos patológicos estabelecidos nas situações pretéritas de conflito. O indulto evolutivo grupal é, portanto, uma necessidade.

As autorretratações multidimensionais libertadoras possibilitam a separação evolutiva relativa pelo desligamento cármico natural. As energias que nutriam o conflito passam a ser direcionadas para a constituição de laços afetivos, fraternos e cooperativos favoráveis a reencontros futuros para demandas assistenciais afins.

Pela Conscienciologia, as autorretratações conduzem a consciência a adentrar a fase da recomposição quando ela deixa de ser vítima direta e passa a atender às vítimas de suas imaturidades, elencadas ao longo da sua holobiografia (conjunto de todas as existências intrafísicas pretéritas). Pouco a pouco, a consciência vai recompondo os destroços de seus desmandos, desensinando o que já ensinou de errado. É uma fase que exige da consciência paciência e persistência.

Diante do exposto, conclui-se que é possível agregar valor e tirar proveito evolutivo das convivências compulsórias, constatando, na prática, a necessidade que temos uns dos outros para evoluir. Portanto, a convivência grupal oferece um manancial de aspectos conscienciais a serem trabalhados na interassistencialidade por todos os envolvidos, em prol de conquistas coletivas pautadas nos princípios cosmoéticos e universais da evolução.

Para saber mais

  • Balona, Málu. Autocura através da reconciliação. Rio de Janeiro: IIPC. 2003.

*Pedagoga e voluntária da Conscienciologia

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