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ARTIGO: Autonomia Evolutiva

Artigo da Semana

Por Leuzene Salgues*

Autonomia é a capacidade de governar-se pelos próprios meios, ou seja, aplicar o direito de tomar decisões livremente. Segundo Kant (1724-1804), autonomia é a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível.

Em contrapartida, a heteronomia é a sujeição a uma lei exterior ou à vontade de outrem. Para Kant, essa condição é traduzida pela sujeição da vontade humana a impulsos passionais, inclinações afetivas ou quaisquer outras determinações que não pertençam ao âmbito da legislação estabelecida pela consciência moral de maneira livre e autônoma.

A vida em sociedade implica em interdependência ou uma dependência recíproca, em virtude da qual realizamos finalidades que implicam em auxílio mútuo ou coadjuvação recíproca. Isso significa a impossibilidade de se ter uma postura puramente autônoma e independente, em prol da organização social.

A interdependência é necessária, como por exemplo, em contextos sociais ao modo do trânsito de uma metrópole, no qual é preciso conhecer e aplicar as leis pré-estabelecidas para que o fluxo de veículos ocorra de forma organizada, sem congestionamentos e acidentes.

No entanto, no convívio social há situações que implicam em tomada de decisões e escolhas que precisam ser realizadas pela consciência, no livre exercício de sua própria vontade.

A autonomia evolutiva é o predomínio das faculdades mentais, notadamente do autodiscernimento quanto ao emprego da liberdade pessoal e aplicação da inteligência evolutiva; esforço pessoal para dinamizar a própria evolução, de modo auto-organizado e cosmoético.

O que impede a consciência de ser autônoma? Quais os maiores entraves da autonomia evolutiva? O que são as coleiras sociais do ego?

As coleiras sociais do ego são os contextos e vínculos que seguram, prendem a consciência, impedindo-a de exercer o seu livre arbítrio para dinamizar a própria evolução, atuando de modo robotizado, submetida às pressões exercidas por outras consciências da sociedade em questão. Essas coleiras são estabelecidas pelas expectativas sociais convencionais que se têm uns dos outros, como por exemplo, estudar, trabalhar, casar, ter filhos etc.

A manutenção desse comportamento heterônomo pode ocorrer de dois modos: de forma lúcida, por economia de males, ou seja, para minimizar as repercussões anticosmoéticas que outra tomada de decisões, no momento, provocaria; ou pelo grande apelo afetivo, quando a consciência submete-se às exigências de outrem, sofrendo uma indução comportamental obtida pela subjugação à manipulação consciente ou inconsciente, que tem como ‘moeda de troca’ o atendimento à própria carência.

A Conscienciologia propõe a autopesquisa, à consciência interessada, como ferramenta útil e essencial para a ampliação do autoconhecimento e, consequentemente, ampliação da autoconfiança, autoestima e maturidade consciencial. A consciência madura passa a atuar de acordo com os seus princípios e valores desenvolvidos ao longo de seu histórico evolutivo e reconhece que a dinamização da própria evolução depende dela própria, do seu esforço pessoal e coragem para contrapor e superar as pressões sociais que robotizam seus integrantes.

A autonomia evolutiva permite que a consciência vivencie, com sua singularidade, o paradoxo do livre arbítrio, ou seja, reconhecer a sua condição de minipeça lúcida no maximecanismo interassistencial. Para tanto, é imprescindível compreender o processo multidimensional de interdependência, principalmente no desenvolvimento de maxiproéxis grupais (programações existenciais confluentes). Juntos vamos mais longe.

Cada consciência lúcida à própria inserção em uma maxiproéxis grupal pode, com a sua singularidade consciencial, atuar de forma autônoma e interdependente, ao mesmo tempo, porque a sua autonomia evolutiva traduz um nível de maturidade que é fruto da autocriatividade, gerada pela vontade decidida e a intenção sadia, cosmoética, que embasam todas as megaconquistas conscienciais.

*Pedagoga, pesquisadora e voluntária da Conscienciologia

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