ARTIGO: A Liberdade de Escolha do Ponto de Vista Conscienciológico

Por Clara Boeckmann*
O que podemos pensar sobre os limites de nosso “livre arbítrio”? Até que ponto temos o “direito” de tomar determinadas decisões, quando estas afetam outras pessoas? Como lidar com as situações da vida em que temos nossa liberdade cerceada? E quando somos nós que cerceamos a liberdade de escolha do outro? Estes são alguns questionamentos que irão nortear as reflexões deste pequeno artigo, considerando alguns princípios do paradigma consciencial. Não é proposta esgotar o tema, mas abrir espaço para a reflexão e discussão sobre o mesmo – a liberdade de escolha de cada um.
É justo, é lícito que cada um possa fazer as suas escolhas. Mas como oportunizar a maior quantidade de acertos destas escolhas do ponto de vista conscienciológico? Para responder este questionamento, são considerados alguns princípios do paradigma consciencial que admite que cada pessoa é uma consciência (alma, self, ego, espírito) em processo evolutivo através de várias vidas (multisserialidade), portando diferentes veículos de manifestação (corpo físico, energético, emocional e mental) e inserida numa vivência multidimensional (várias dimensões – física e extrafísicas).
Assim, considerando que estamos em processo de evolução consciencial, podemos refletir sobre alguns fatores que nos ajudariam a discernirmos quais seriam as melhores escolhas de vida: (a) Autoconsciencialidade – ampliação do discernimento pessoal, intrafísico e extrafísico; (b) Cosmovisão – visão holísitca e multidimensional de nossa condição perante o universo intra e extrafísico que nos engloba; (c) Cosmoética – a ética que vai além da moral humana, considerando todos os seres e condições da realidade multidimensional; (d) Racionalidade – reconhecer a lógica das coisas, o uso do mentalsoma (corpo mental); e (e) o desenvolvimento da tridotação consciencial, os três mega-atributos da consciência que são a intelectualidade, a comunicabilidade e o parapsiquismo, atentando às questões multidimensionais, que englobam o trabalho de nossas bioenergias e o desenvolvimento de parapercepções.
Evidentemente, ainda não temos nível evolutivo que englobe todos estes atributos, mas podemos sempre buscar a reflexão para fazer escolhas dentro de princípios cosmoéticos. Para isso, alguns valores estratégicos podem ser considerados, tais como o Universalismo, o antissectarismo, a solidariedade, a assistencialidade. Diante de momentos de decisão, é sempre uma boa dica observar o que é o melhor para a maioria das pessoas envolvidas nas nossas escolhas.
Algumas estratégias complementares podem ser utilizadas para nortear nossas escolhas. Priorização e autodiscernimento, manter lucidez para sabermos priorizar aquilo que é mais importante, do ponto de vida evolutivo. Para isso, é fundamental ter clareza com relação aos próprios objetivos, para saber priorizar, fazendo uso de inteligência evolutiva – o que for realmente importante para nossa evolução pessoal, em sincronicidade com nossa proéxis (programação existencial – nossa “missão de vida”).
Para sabermos priorizar, é fundamental um autoconhecimento prévio. Como ter metas e objetivos, se não nos conhecemos? Sem nos conhecermos, não podemos saber o que é realmente importante para nós. A Conscienciologia oferece inúmeras técnicas e cursos para a nossa autopesquisa.
Outra estratégia é a auto-organização pessoal. Se não tivermos organização na vida, no cotidiano, nas tarefas e nos pensamentos, podemos acabar nos perdendo no caos do dia-a-dia da vida, que pode ficar também sem um norte.
A partir do desenvolvimento destes atributos e estratégias apresentados, fica mais fácil tomarmos decisões acertadas, perceber os limites de nosso livre arbítrio e também lidar com as restrições às nossas escolhas, que eventualmente nos sejam impostas pelas circunstâncias da vida, ou mesmo por outras pessoas.
Podemos, assim, fazer um exercício de autodiscernimento ativo – tomando as rédeas de nossa vida, com escolhas conscientes e bem entendidas, aproveitando as oportunidades para praticar a interassistencialidade e o exercício do posicionamento cosmoético e fraterno, quando das limitações – justas ou não – impostas por fatores ou pessoas, alheios à nossa vontade.
*Professora e voluntária do INTERCAMPI
