ARTIGO: Autopesquisa através de Biografias







Artigo da Semana
Por Rute Pinheiro*

A autopesquisa é um processo essencial para aquele que tem o interesse em conhecer-se, em compreender como funciona em todas as suas manifestações nesta vida física, em como se relaciona com as pessoas que estão ao seu redor e mais ainda, é útil para quem está disposto a utilizar a informação que tem sobre si mesmo para promover reciclagens íntimas e se tornar um ser humano melhor, ou seja, para evoluir e contribuir para a evolução da humanidade.

Não é uma tarefa tão simples e exige esforço contínuo e motivação, uma vez que quando começamos a olhar para nós mesmos vemos nossas qualidades e traços de personalidade maduros, mas também descortinamos uma série de imaturidades que nem sempre são agradáveis e que, no geral, tentamos esconder, inclusive de nós mesmos. Mas e daí? Para mudarmos algo, o primeiro passo é identificá-lo e assumir que somos seres em evolução, que estamos aqui para aprender. A partir deste ponto, podemos desdramatizar e buscar técnicas diversas para trabalharmos e superarmos esses traços imaturos, bem como, desenvolvermos ou adquirirmos traços maduros ou descobrir atributos conscienciais que sequer imaginávamos ter.

Segundo a Conscienciologia, somos seres multimilenares, já tendo passado por diversas experiências em períodos de vida anteriores e períodos intermissivos (entre vidas), utilizando vários veículos ou corpos (holossoma) para nos manifestarmos tanto nesta dimensão física como em outras dimensões extrafísicas, realizando trocas energéticas com os ambientes e com outras consciências. Assim, os traços que apresentamos nesta vida atual, além da influência genética e mesológica, também sofrem as influências das nossas experiências passadas, e esses traços muitas vezes milenares, não serão mudados num passe de mágica. Por isso, faz-se necessário todo um processo de reeducação, que poderá levar, em casos mais sérios, vários anos para que possamos observar as superações. O importante é estarmos decididos e não esmorecermos durante a caminhada. Os resultados compensam, experimentem.

Uma das técnicas que podem ser utilizadas para a autopesquisa é a autopesquisa através de biografias, quando escolhemos uma personalidade que nos interessa e observamos os seus traços pessoais, tanto maduros quanto imaturos, através da sua história de vida, dos feitos realizados, dos depoimentos existentes sobre ela, da sua forma de relacionar-se com os demais e de todas as informações disponíveis. Fazemos registros e análises desses traços e então mudamos o foco do biografado para nós mesmos, passando a observar quais destes traços identificados nós também apresentamos ou aqueles aspectos de sua biografia que nos chamaram atenção.

O exercício da análise conscienciométrica do outro, pelo fato de sermos “apenas” observadores, gera um know how que facilita posteriormente, o olhar sobre nós mesmos de forma menos emocional e mais técnica. Podemos então aplicar a técnica autobiográfica, através de registros de todas as fases da nossa vida, procurando identificar os traços apresentados em cada uma delas. Em consonância, é possível utilizar outra técnica de autopesquisa similar/complementar que é a autoconscienciometria, constituída de quatro etapas: autoinvestigação, autodiagnóstico, autoenfrentamento e autossuperação.

Segundo Alexandre Nonato, autor do livro JK e os Bastidores da Construção de Brasília (Sob a ótica da Conscienciologia), “O estudo biográfico permite ao autopesquisador interessado descobrir as próprias potencialidades latentes, através, por exemplo, do cotejo e das reflexões sobre os aspectos que lhe chamaram a atenção na leitura.” Ele considera a autopesquisa como “o estudo técnico e prioritário de si mesmo, dos trafores (traços força ou maturidades) e trafares (traços fardos ou imaturidades), tendências, talentos, aptidões, autocorrupções, levando ao aumento da autocrítica no dia a dia.”

Temos hoje a nossa disposição muitas biografias interessantes a serem pesquisadas, de personalidades que marcaram a evolução da humanidade, a exemplo da potiguar educadora Nísia Floresta entre outras, que poderíamos passar a ler com olhos mais aguçados, observando as entrelinhas e identificando os traços que as tornaram singulares e especiais. Quem sabe com esse movimento, desenvolvemos também nossas singularidades em prol da nossa evolução e do grupo evolutivo que chamamos humanidade, e passemos a ter nossa biografia como referência exemplar para as gerações futuras.

*Bióloga, voluntária, pesquisadora e professora do INTERCAMPI

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