ARTIGO: Uma visão conscienciológica do filme Avatar de James Cameron

Por Thiago Leite*
O novíssimo filme dirigido por James Cameron, Avatar, lançado em dezembro de 2009, conta a história de um ex-fuzileiro numa delicada missão: assumir a forma de um habitante da lua Pandora e negociar com os nativos a exploração de um valioso minério. Porém, as intenções do protagonista mudam quando ele é aceito pela cultura local, tornando-se um deles e lutando ao seu lado para proteger seus interesses, contra os exploradores para quem trabalhava antes.
Esta obra cinematográfica aborda temas pertinentes à Conscienciologia, como a Cosmoética, o Universalismo e a conscienciofilia e a temas visuais que sugerem fenômenos da Projeciologia, como a ressoma, a projeção consciente e as bioenergias.
No filme, uma empresa terráquea busca o valioso unobtânio, encontrado na lua Pandora e concentrado em área ocupada pelos Na’vi, alienígenas inteligentes com um modo de vida parecido com o de ameríndios. Para obter o metal precioso, os humanos querem retirar os nativos de sua terra em troca de tecnologia, oque não interessa aos Na’vi e aqueles recorrem à violência para atingir seu objetivo.
A Cosmoética, segundo a Conscienciologia, é uma ética mais evoluída do que a moral humana e tem como diretriz básica: “aconteça o melhor para todos”. Em Avatar, o interesse comercial de uma empresa se chocam com o dos habitantes de uma floresta extraterrestre. Sem buscar entender as necessidades dos Na’vi, os humanos apelam para o uso da força, impondo seus próprios desejos. Apenas Jake Sully, que após árduo processo se torna um nativo, entende a violência do genocídio e da expulsão pelos humanos, e tenta intervir para proteger os Na’vi.
Uma postura universalista entenderia que os Na’vi, detentores de inteligência como os humanos e vivendo em perfeita harmonia com a natureza de sua lua natal, têm absoluto direito de decidir os rumos de sua história e do lugar que habitam. A não ser que os humanos viessem intervir com a intenção de evitar algum mal intrínseco a Pandora e a seus habitantes, suas ações não poderiam ser justificadas segundo uma ética universalista, pois se basearam tão-somente em interesses egoicos, prejudicando as oportunidades evolutivas de outro povo.
Ao se tornar um nativo, levando sua mente para um corpo alienígena, Jake Sully experimenta um fenômeno parecido com o que se conhece na Conscienciologia como ressoma, o renascimento da consciência extrafísica (que não possui corpo físico) num novo corpo. Ao ressomar como uma espécie diferente, Sully tem o desafio de superar seus condicionamentos e preconceitos, aceitando consciências alienígenas como suas iguais, com os mesmos direitos universalistas, pois que detentoras da mesma natureza evolutiva que os humanos.
Além disso, uma nova ressoma é uma oportunidade evolutiva na qual crescemos e temos a oportunidade de realizar um novo projeto de vida, que pode ser benéfico para um grande número de consciências. Na Conscienciologia, entendemos que cada consciência ressoma com uma programação existencial planejada no período intermissivo (entre duas vidas consecutivas). As evidências de que Sully tinha uma missão específica a ser realizada em Pandora vão ficando claras à medida em que aparecem sinais: sua coragem e abertismo; as sementes flutuantes de uma árvore que pousam sobre seu corpo; e sua facilidade para domar uma ave feroz.
Outro fenômeno a que o filme alude é a projeção consciente, ou seja, a saída da consciência fora do corpo físico, manifestando-se com um corpo mais sutil chamado psicossoma. Ao transferir a sede da consciência para outro corpo, Sully experimenta algo semelhante à projeção da consciência para outra dimensão. No corpo Na’vi, ele retoma os movimentos das pernas, tornando-se mais hábil nos aspectos físicos e sensoriais. A sensasão melhora dos atributos é sentida na projeção da consciência, em que o psicossma não tem as limitações de forma e de percepção do corpo físico.
Manifestando-se em corpo Na’vi, Sully consegue se conectar às plantas e animais, de forma parecida com o que a Conscienciologia descreve como fenômenos bioenergéticos. As bioenergias são energias sutis que envolvem e interpenetram os seres vivos, podendo ser manipuladas e intercambiadas. A consciência interessada pode aprender a usá-las, para ajuda pessoas enfermas ou entender melhor aqueles a quem pretende dar assistência, trocando energias, sentimentos e pensamentos.
A história de Jake Sully pode ser vista como uma alegoria da trajetória evolutiva de uma consciência que adquire uma percepção cada vez mais ampla do universo e das outras consciências, através de uma manifestação multidimensional, desenvolvendo uma perspectiva universalista e cosmoética do universo ao seu redor.
*Antropólogo, pesquisador da Conscienciologia e voluntário do INTERCAMPI










Thiago, parabéns pelo artigo! Sugiro a divulgação/publicação para outros veículos jornais e revistas. Abs,
Olá, Thiago
Gostei da iniciativa do artigo sobre Avatar, acho que podemos inclusive aprofundar muito mais. O filme é rico em detalhes, podemos nomear situações ou fatos reais para usarmos como comparativo com diversas cenas do filme. Inclusive realçar o caminho da recin e suas razões, que o ex fuzileiro (agente do belicismo) que depois se torna o herói (agente do pacifismo), trilha com bastante força de vontade. Sem falar da importância da dupla evolutiva, fato fundamental que desencadeia todo o processo de mudança, mudança esta que ocorre simultaneiamente de dentro para fora e de fora para dentro. À essa mudança eu dou o nome de parapsiquismo!
Forte Abraço,
Fabiana Silva – IIPC-SP
@Fabiana,
Há muitíssimas coisas para falar do filme. Só deixei a resenha bem resumida devido ao espaço limitado no Jornal de Hoje (de Natal), onde esses artigos são publicados (a gente os coloca no site depois que saem no jornal).
Mas a gente pode explorar e expandir esses e outros temas aqui nos comentários.
Obrigado pelo feedback.
Oi Thiago, gostei muito o artigo!! parabéns!! Assunto muito interessante. O tema foi colocado de modo muito inteligente e com bastante respeito. Me envia um email por favor, pois acho super interessante a Antropologia!
Abraços e sucesso!!