ARTIGO: A Importância do Ato da Escrita

Por Lília Junqueira. Estudante de Conscienciologia
Escrever é uma atividade extremamente importante para o desenvolvimento consciencial. A Conscienciologia e da Projeciologia nos alertam sobre isso. A Conscienciologia enquanto ciência que estuda a consciência de modo integral, em suas várias manifestações, sugere que os indivíduos passem em revista periodicamente cada uma das suas múltiplas dimensões com o objetivo de esclarecer, lançar luz sobre todas as faces da vida humana e realidade multidimensional. Nesse sentido, a escrita se apresenta como uma técnica fundamental para que o autoexame e a autopesquisa não se percam na infinidade de vivências que experimentamos na investigação intraconsciencial. Em outras palavras, a escrita é uma das maneiras de que nos servimos como profilaxia ao apagamento da nossa memória. Portanto, o resultado do trabalho de registro deveria durar o maior tempo possível, com o menor trabalho possível (gasto de energia) de recuperação do material registrado. Para esta função, além do papel, caneta ou computador, poderiam ser usados, como por exemplo, o uso de gravador de voz ou filmadora.
Algumas técnicas têm desvantagens, se comparadas à escrita. A primeira delas é a brevidade da existência do registro. As fitas cassete e os filmes se apagam pela ação do tempo. E esta degradação é bem inferior, em termos de tempo, no caso da escrita. Se bem conservado, o registro em papel dura mais. Já o registro digital escrito, em condições ideais, pode ser fácil e rapidamente transferido de um suporte de comunicação a outro, assim como as fotos, os filmes e as fitas cassete.
Além das limitações de durabilidade, o registro em imagens coloca também limitações quanto ao problema do estímulo à reflexão que se pode obter a partir do resultado. Não podemos esquecer, também, que é impossível fotografar ou filmar a subjetividade, ou seja, o que se passa na intraconsciencialidade.
Os escritores da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer, Benjamim) alertaram para o problema da falta de tempo para refletir, que está ligada ao consumo da imagem na sociedade contemporânea. O material escrito permite reflexão, enquanto que a imagem não nos dá tempo nem motivo para pensar, já que ela é mais completa em termos de informações. Quando vemos uma foto não precisamos imaginar nada. Quando lemos uma descrição, a mente precisa fazer um trabalho para construir uma visão mental do que está escrito.
Mas a importância da escrita não se limita à sua empregabilidade enquanto técnica de registro. A atividade de escrever é, em si mesma, uma rica experiência consciencial e energética. Consciencial, porque para poder escrever é necessário, antes, reconstituir a experiência mentalmente, recompondo a memória desta experiência. Esta atividade consiste num trabalho consciencial em si mesma já que, para escrever algo que tenha sentido, é preciso antes fazer um trabalho de investigação mental considerável. Além disso, a partir de experiências pessoais e relatos de outros conscienciólogos, pode-se afirmar sem dúvida que os amparadores (consciências extrafísicas benfazejas) atuam ajudando neste trabalho.
A atividade da escrita é também uma oportunidade de mobilização energética. Além do deslocamento energético ligado ao trabalho mental de quem escreve, existe o trabalho energético ligado ao trabalho de transferência de energia dos amparadores. Consequentemente, a atividade de escrever torna-se um poderoso exercício de desassédio mentalsomático.
Outro aspecto relevante da atividade da escrita que tem sido estudado pela Conscienciologia são os processos mentais ocorridos durante à noite após estarmos ocupados em escrever por muitas horas durante o dia. Vamos dormir cansados, com problemas para serem resolvidos no nível mental. Muitas vezes esses problemas poderiam nos levar a desistir do trabalho de investigação, tal a certeza que temos de que eles são intransponíveis. No entanto, é possível acordarmos com as respostas na mente daquilo que procurávamos. Basta se sentar e continuar escrevendo.
Experiências como estas revelam a possibilidade da consciência se manifestar em outras dimensões, vivenciando uma projeção consciente. A reflexão, o registro e a motivação do estudo nos levam a continuar fora do corpo, durante o período do sono, a busca de respostas para nossas dúvidas mentais, cuidadosamente construídas durante o dia, no ato de escrever. Por tudo isso, pode-se concluir que a experiência da escrita não se limita à técnica de registro, mas é também, ao mesmo tempo, uma atividade multidimensional, energética e consciencial.








